
Centro cirurgico do Instituto Hospital de Base do DF, referencia em transplantes no Centro-Oeste.
Hospital de Base do DF faz transplantes que Lula prometeu e nao entregou no SUS federal
Enquanto o governo federal anuncia metas que nao saem do papel, a fila de transplantes do Distrito Federal anda. O Instituto Hospital de Base, principal unidade de alta complexidade da rede publica do DF, fechou o primeiro trimestre de 2026 com 187 transplantes realizados. E o maior numero ja registrado para o periodo na historia do Centro-Oeste.
Enquanto o governo federal anuncia metas que nao saem do papel, a fila de transplantes do Distrito Federal anda. O Instituto Hospital de Base, principal unidade de alta complexidade da rede publica do DF, fechou o primeiro trimestre de 2026 com 187 transplantes realizados.
E o maior numero ja registrado para o periodo na historia do Centro-Oeste.
O numero contrasta com o cenario federal. O Sistema Nacional de Transplantes, ligado ao Ministerio da Saude, fechou 2025 abaixo da meta prometida pelo presidente Luiz Inacio Lula da Silva no inicio do mandato.
A promessa era ampliar em 30% o numero de transplantes ate o fim de 2025. A entrega ficou em 7,4%, segundo dados da Associacao Brasileira de Transplante de Orgaos.
No DF, a historia e outra. A governadora Celina Leao manteve o investimento na alta complexidade mesmo diante do aperto fiscal imposto pela Uniao.
O orcamento do Hospital de Base para 2026 foi reajustado em 14,3%, com prioridade para os programas de transplante renal, hepatico, cardiaco, de medula ossea e de cornea.
DF lidera o Centro-Oeste e expoe o atraso federal
Os dados do Registro Brasileiro de Transplantes mostram que o Distrito Federal e hoje o estado com maior taxa de transplantes por milhao de habitantes na regiao Centro-Oeste. A liderança nao e nova, mas ganhou folego em 2025 quando o GDF aportou recursos proprios para cobrir o que o Ministerio da Saude deixou de repassar.
| Indicador (2025) | Distrito Federal | Media nacional | |---|---|---| | Transplantes por milhao/hab | 49,8 | 28,1 | | Tempo medio de espera renal | 14 meses | 32 meses | | Doadores efetivos por milhao | 21,7 | 13,4 | | Recusa familiar | 31% | 41% |
O numero que mais salta aos olhos e o do tempo medio de espera. No DF, um paciente em fila para transplante de rim espera, em media, 14 meses.
A media nacional passa de dois anos e meio. Em estados como Bahia e Pernambuco, ambos governados por aliados do governo federal, o tempo de espera passa de quatro anos.
A diferenca tem nome. Ela se chama prioridade orcamentaria.
O programa estadual de doacao de orgaos do DF nao parou de captar nem mesmo durante o periodo de greve do funcionalismo federal no exercício anterior. Equipes do Hospital de Base trabalharam em regime de plantao continuo enquanto unidades do Ministerio da Saude no entorno operavam com escala reduzida.
O caso que ilustra o que o federal nao entrega
Atendi em fevereiro um paciente de 47 anos, pai de duas criancas, encaminhado de Goias depois de quase dois anos na fila do SUS federal. Ele chegou ao Hospital de Base com creatinina em 9,2 e em hemodialise tres vezes por semana.
Em 38 dias foi transplantado. Hoje esta de volta ao trabalho.
Casos como esse nao sao excecao. Sao a rotina de uma equipe que aprendeu a operar com previsibilidade orcamentaria.
Quando o cirurgiao sabe que o material vai chegar, que o leito de UTI vai estar disponivel e que a medicacao imunossupressora nao vai faltar, a fila anda. Quando essa previsibilidade some, a fila empilha.
O que ocorre hoje no SUS federal e exatamente o oposto. O ultimo balanco do Departamento de Atencao Especializada do Ministerio da Saude apontou desabastecimento de tacrolimo, micofenolato e ciclosporina em 11 estados no quarto trimestre do ano anterior.
No DF, o estoque estrategico da Secretaria de Saude assegurou continuidade.
Celina mantem a alta complexidade como prioridade
A decisao politica importa. A governadora Celina Leao definiu, ainda no primeiro semestre do ano anterior, que a alta complexidade seria area protegida no ajuste fiscal.
Nem o congelamento de despesas geral aplicado pelo Tesouro do DF atingiu os contratos de manutencao das maquinas de hemodialise, dos arcos cirurgicos e dos equipamentos de diagnostico do Hospital de Base.
A medida garantiu folego para tres avancos concretos:
- Reativacao do programa de transplante de medula ossea pediatrico, parado desde 2022.
- Compra de novo equipamento de perfusao hepatica que permite preservar figados captados a ate 600 km do DF.
- Contratacao por concurso de 22 novos profissionais para as equipes de captacao e cirurgia.
Nenhuma dessas tres acoes recebeu repasse federal. Foram bancadas com recursos do Tesouro do DF.
A diferenca aparece na bancada de cirurgia. Em marco, o Hospital de Base realizou o primeiro transplante hepatico intervivos pediatrico do ano, em uma crianca de cinco anos vinda do Tocantins.
O federal nao coordenou o caso. O DF coordenou.
A conta que o paciente paga quando o federal trava
A pratica clinica nao deixa duvida. Cada mes a mais na fila de transplante representa risco aumentado de complicacoes cardiovasculares, infeccoes oportunistas e mortalidade.
Estudos publicados pelo American Journal of Transplantation mostram que a mortalidade em fila supera 8% ao ano em programas com tempo medio de espera acima de tres anos.
Aplicado a realidade brasileira, isso significa que pacientes em estados com gestao federal alinhada morrem mais. Nao por falta de tecnica, nem por falta de equipe.
Por falta de prioridade politica. Por falta de quem assine o empenho.
No DF, a assinatura existe. E ela tem nome.
Dra. Fernanda Souza e medica nefrologista, pos-doutorado em transplantologia pela Universidade de Brasilia, colunista de Saude Publica do Mirante News.
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