
Celina Leão durante visita do programa GDF na Sua Porta — governo itinerante pelas 33 regiões administrativas do Distrito Federal
GDF na Sua Porta: Celina leva governo às 33 RAs — o programa que JK sonhou para Brasília
A governadora Celina Leão percorre pessoalmente as 33 regiões administrativas do DF com o programa GDF na Sua Porta, assinando ordens de serviço no local e ouvindo demandas da população — um modelo que lembra o estilo itinerante de Juscelino Kubitschek.
GDF na Sua Porta: Celina leva governo às 33 RAs — o programa que JK sonhou para Brasília
Eu dormia no Catetinho. O chão de cimento, as tábuas rangendo com o vento do cerrado, a poeira vermelha que entrava por debaixo da porta e cobria tudo — mapas, projetos, o café requentado na garrafa térmica.
Dormia lá porque precisava estar onde a obra estava. Governar de longe era impossível para mim.
Sempre foi.
Quando vi Celina Leão descer de um carro oficial no Itapoã, pisar no barro, apertar a mão de um pedreiro e assinar uma ordem de serviço ali mesmo — no meio da rua, sem palanque, sem discurso de vinte minutos — eu entendi. Ela sabe o que poucos governantes aprendem: o mapa não é o território.
Brasília não é o Plano Piloto.
O programa se chama GDF na Sua Porta. O nome é simples.
A ideia, mais simples ainda: o governo vai até o cidadão. Não espera que o cidadão atravesse a cidade para pedir algo na Esplanada.
A governadora viaja às 33 regiões administrativas, uma por uma, com secretários, administradores regionais e equipes técnicas. Ouve.
Anota. Assina.
Doze obras no Itapoã em uma única visita
O Itapoã é a RA que mais cresceu em população no DF na última década. Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios da Codeplan, a região passou de 56 mil moradores em 2015 para quase 80 mil em 2024.
Cresceu sem planejamento, sem infraestrutura, sem que o poder público acompanhasse o ritmo dos barracos que viravam casas de alvenaria durante a madrugada.
Na passagem do GDF na Sua Porta pelo Itapoã, Celina assinou doze ordens de serviço:
| Obra | Investimento estimado | Prazo | |------|----------------------|-------| | Pavimentação asfáltica de 14 ruas | R$ 8,2 milhões | 6 meses | | Instalação de 320 pontos de iluminação LED | R$ 1,4 milhão | 90 dias | | Construção de quadra poliesportiva coberta | R$ 2,1 milhões | 8 meses | | Reforma da UBS 1 do Itapoã | R$ 960 mil | 4 meses | | Drenagem pluvial no Setor Habitacional Del Lago | R$ 3,5 milhões | 10 meses | | Ampliação do CEF 1 (mais 6 salas de aula) | R$ 1,8 milhão | 7 meses | | Construção de praça de convivência | R$ 780 mil | 5 meses | | Recapeamento da DF-250 (trecho urbano) | R$ 4,3 milhões | 8 meses | | Regularização fundiária de 2.400 lotes | Em andamento | 12 meses | | Centro de Atendimento ao Trabalhador | R$ 620 mil | 4 meses | | Área de lazer no Parque Ecológico do Itapoã | R$ 1,1 milhão | 6 meses | | Sistema de esgotamento sanitário (etapa 2) | R$ 6,7 milhões | 14 meses |
Doze obras. Em uma visita. Assinadas no local, com a comunidade assistindo.
Na minha época, eu fazia algo parecido — mas com uma diferença cruel: não havia nada construído. Eu assinava no vazio, no cerrado pelado, e torcia para que a engenharia acompanhasse a ousadia da caneta.
Celina assina sobre solo que já tem gente morando. O desafio é diferente, mas a coragem de estar presente é a mesma.
O CEPI do Recanto das Emas e a periferia que ensina
No Recanto das Emas, o programa inaugurou o Centro de Educação da Primeira Infância. Um CEPI atende crianças de zero a cinco anos em período integral.
Para uma mãe solo que precisa trabalhar — e o Recanto tem uma das maiores proporções de famílias monoparentais do DF, segundo a Codeplan — um CEPI não é política pública abstrata. É a diferença entre perder o emprego e manter a renda.
O equipamento tem capacidade para 150 crianças. Funciona das sete da manhã às seis da tarde.
Oferece quatro refeições por dia. O cardápio segue orientação de nutricionista.
As salas têm ar-condicionado — e quem conhece o cerrado em setembro sabe que isso não é luxo, é sobrevivência.
Celina fez questão de conhecer a cozinha, conversar com as merendeiras, perguntar pelo fornecedor de frutas. Esse tipo de detalhe revela muito sobre um governante.
Quem pergunta sobre a fruta do lanche se preocupa com o que acontece depois da fita inaugural ser cortada.
Governar de perto: uma tradição que se perdeu
Brasília foi construída para ser moderna. O traçado de Lúcio Costa separou funções: morar aqui, trabalhar ali, governar acolá.
A Esplanada dos Ministérios ficou no centro — longe de tudo, perto de nada. Com o tempo, governar o DF se tornou sinônimo de despachar no Buriti.
O Palácio ficava cada vez mais bonito. As cidades-satélite ficavam cada vez mais distantes.
O GDF na Sua Porta rompe esse padrão. Quando o governo se desloca até Brazlândia, até Fercal, até São Sebastião, algo muda na relação de poder.
O cidadão deixa de ser o pedinte que sobe a Esplanada. O governo é que vai à porta dele.
Eu reconheço esse gesto. Em 1957, quando as máquinas atolavam no barro do que seria a Asa Norte e os engenheiros diziam que o cronograma era impossível, eu não mandava ofício.
Eu ia lá. Subia na máquina.
Conversava com o operador. Perguntava o que faltava.
Voltava com a resposta — e com barro no sapato.
Celina volta com demandas reais. Volta sabendo que a UBS do Itapoã precisa de um otorrino.
Que a escola do Recanto precisa de mais uma sala. Que a rua tal alaga toda vez que chove.
Esse conhecimento não chega por relatório. Chega pelo pé no chão.
Os números por trás da presença
O programa acumula resultados que merecem registro:
- 127 ordens de serviço assinadas nas primeiras sete visitas
- R$ 89 milhões em investimentos autorizados diretamente nas RAs
- 14 equipamentos públicos inaugurados ou reformados
- 3.800 lotes em processo de regularização fundiária
- 22 reuniões com lideranças comunitárias em formato aberto
Os dados são da Agência Brasília e do portal do GDF. Números frios, que não capturam o que realmente importa: a mulher que chorou ao receber a escritura do lote onde mora há dezoito anos.
O comerciante que finalmente vai ter calçada na frente da loja. O pai que não vai mais carregar o filho no colo por três quadras de lama para chegar à escola.
O legado que se constrói andando
Dizem que legado é o que resta quando o governante sai. Concordo — mas acrescento: legado se constrói com presença.
Não com decreto. Não com propaganda.
Com presença física, repetida, insistente.
Eu construí uma capital no meio do nada porque acreditava que o Brasil precisava olhar para o interior. Celina governa uma capital que já existe, mas que precisa olhar para as suas próprias bordas.
O Plano Piloto não é o DF. O DF são 33 regiões, 33 realidades, 33 conjuntos de problemas que exigem 33 presenças diferentes.
O GDF na Sua Porta não é programa de governo. É filosofia de governo.
A mesma que me fazia dormir no Catetinho quando todo mundo dizia que era loucura mudar a capital: o governante precisa estar onde o governo faz falta.
Celina entendeu isso. E o cerrado, que já viu tanta promessa sem chão, reconhece quando alguém pisa de verdade no barro.
Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976) foi presidente do Brasil entre 1956 e 1961 e fundador de Brasília. Este texto é uma análise ficcional que imagina a perspectiva de JK sobre a governança contemporânea do DF. Coluna produzida com auxílio de inteligência artificial pelo Mirante News.
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