
Ilustração editorial da rota que precisa ligar produção, serviços e moradores no sul do Maranhão. Arte: Mirante News.
MA-138: 12 anos depois, a saída é consórcio e cobrança pública
A MA-138 já passou tempo demais sendo tratada como promessa de campanha. O trecho entre Estreito e São Pedro dos Crentes foi anunciado, cobrado, remendado e filmado em atoleiro; agora precisa virar projeto com CNPJ, fonte de recurso, cronograma e cobrança pública.
A MA-138 não é uma estrada esquecida por falta de discurso.
Discurso ela tem demais.
O que falta é transformar cobrança em instrumento.
Quando gravei a mensagem sobre a rodovia, eu não falei como candidato.
Falei como filho de Estreito.
Falei como usuário da estrada.
Falei também como técnico, alguém que passou mais de 14 anos no Congresso Nacional vendo como emenda, convênio, articulação e projeto andam quando existe método.
Política sem método vira fotografia.
Fotografia não tira caminhão do atoleiro.
A promessa envelheceu
A Assembleia Legislativa do Maranhão registrou em 2014 anúncio de pavimentação da MA-138 entre São Pedro dos Crentes e Fortaleza dos Nogueiras.
Naquele mesmo texto, já aparecia o pedido para viabilizar o asfalto entre São Pedro dos Crentes e Estreito.
Em 2015, o Imirante noticiou que a rodovia estava quase sem condições de tráfego.
A reportagem descreveu a MA-138 como ligação entre Estreito, São Pedro dos Crentes e Feira Nova, além de acesso a Carolina, Riachão, Balsas, Fortaleza dos Nogueiras e Nova Colinas.
Também registrou 17 assentamentos, mais de 400 fazendas e uma região produtora de leite e soja.
Em 2017, o governo estadual voltou ao tema.
A comunicação oficial da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares informou ordem de serviço para recuperação emergencial e autorização de licitação do projeto de pavimentação.
O próprio governo descreveu ali o trecho entre Estreito e São Pedro dos Crentes como 122 km, com custo de R$ 3,8 milhões para a recuperação.
Essa sequência diz tudo.
O problema não nasceu ontem.
Também não será resolvido por vídeo bonito, carreata ou almoço de inauguração.
Estrada pública precisa de projeto, licitação, dinheiro, fiscalização e cobrança.
Sem isso, vira promessa reciclada.
O consórcio muda o jogo
A proposta de consórcio intermunicipal não é enfeite jurídico.
É a forma de colocar a região dentro de uma estrutura que pode ter CNPJ, diretoria, ata, plano de trabalho, conta, doação formal, convênio e auditoria.
O consórcio permite que prefeitura, governo estadual, bancada federal, Assembleia, produtores, pecuaristas, agricultores, comércio e moradores deixem de atuar como torcida separada.
Cada um entra com responsabilidade definida.
Cada real fica rastreável.
Cada promessa passa a ter endereço.
Essa é a diferença entre cobrar no grito e cobrar com documento.
Quando o Lnove Notícias registrou a mobilização de 14 de março de 2026, a proposta apresentada já era essa: criar um consórcio capaz de juntar municípios, empresários, cooperativas, parlamentares e governos.
É o caminho correto.
Não porque seja meu.
Mas porque tira o assunto do improviso.
A estrada é economia real
Quem olha a MA-138 de gabinete enxerga uma linha no mapa.
Quem passa por ela vê outra coisa.
Vê leite, soja, gado, frete, ônibus, ambulância, peça de trator, aluno, comerciante, assentamento, fazenda e família.
Vê tempo perdido.
Vê pneu estourado.
Vê caminhão preso quando a chuva transforma terra em barro.
O asfalto não é luxo.
É redução de custo.
É previsibilidade.
É acesso a mercado.
É a chance de o produtor vender melhor e comprar mais barato.
Brasília conhece esse efeito em outra escala: quando o asfalto chega, o endereço muda de valor, como o Mirante mostrou na leitura sobre asfalto, CEP e vida prática no Sol Nascente.
No sul do Maranhão, a conta é rural e regional.
Mas a lógica é a mesma.
Infraestrutura muda a renda antes de aparecer no discurso.
Menos palanque, mais ata
A região não precisa brigar por dono da obra.
Precisa brigar pelo início, pelo meio e pelo fim dela.
Se o governo estadual entrar, ótimo.
Se parlamentar federal mandar recurso, ótimo.
Se deputado estadual ajudar a destravar etapa, ótimo.
Se produtor e empresário contribuírem dentro da lei e com registro público, melhor ainda.
O que não serve mais é trocar o sonho da estrada por apoio político.
Essa prática rebaixa o cidadão.
Faz do morador moeda de campanha.
Faz da poeira uma ferramenta eleitoral.
Sou servidor público federal de formação e aprendi uma regra simples: processo bom deixa rastro.
Ata deixa rastro.
Projeto deixa rastro.
Contrato deixa rastro.
Medição deixa rastro.
Prestação de contas deixa rastro.
Promessa verbal some na primeira chuva.
A cobrança agora tem nome
O Tribunal Superior Eleitoral registra meu nome civil como Jackson Douglas Fontinele Pereira.
Em 2020, disputei a Prefeitura de Estreito pelo PRTB.
Recebi 5.616 votos no primeiro turno, segundo a base oficial de votação nominal do TSE.
Foram 5,6 mil votos, cerca de 32,70% dos votos válidos de Estreito naquela disputa.
Depois, aceitei missão na gestão municipal como secretário de Turismo e responsável pela relação institucional, conforme noticiado em 2023.
Também presidi a Instância de Governança Fórum do Polo Turístico Chapada das Mesas no biênio 2023/2024, eleição registrada pelo Angra Notícias.
Cito isso por uma razão.
Não estou descobrindo a região agora.
Não estou chegando de fora para posar de salvador.
Conheço a estrada, a política, a burocracia e a paciência esgotada de quem vive ali.
A MA-138 deixou de ser apenas uma reivindicação local.
Virou teste de maturidade pública.
Se a região conseguir organizar um consórcio, abrir as contas, chamar todos à mesa e cobrar passo a passo, a estrada terá mais chance do que teve em anos de anúncio.
Se voltar a depender apenas de promessa, repetiremos 2014, 2015, 2017 e 2026 com outra placa, outro palanque e o mesmo barro.
Minha posição é direta.
A MA-138 tem que sair do ciclo da fala e entrar no ciclo da execução.
O consórcio é o instrumento.
A população é a pressão.
A prestação de contas é a garantia.
O resto é poeira.
E poeira, quem mora na beira da estrada, já engoliu demais.
Jackson Douglas Fontinele Pereira é servidor público federal, ex-candidato a prefeito de Estreito em 2020 e ex-presidente da Instância de Governança Fórum do Polo Turístico Chapada das Mesas. Este artigo parte de sua fala pública no Reel de 3 de abril de 2026 sobre a MA-138 e de fontes públicas verificadas pelo Mirante.
Perguntas Frequentes
- Qual é a proposta defendida para a MA-138?
- A criação de um consórcio intermunicipal de infraestrutura, capaz de reunir municípios, produtores, empresários, parlamentares e governos em torno de projeto, recursos e prestação de contas.
- Por que a MA-138 é estratégica?
- A rodovia liga Estreito, São Pedro dos Crentes e Feira Nova, dá acesso a outras áreas produtivas do sul maranhense e serve ao escoamento agropecuário e ao deslocamento cotidiano de moradores.
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