
Rua asfaltada em Sol Nascente — a região administrativa que mais recebeu infraestrutura no Distrito Federal em 2026
Sol Nascente ganhou asfalto, iluminação e CEP: a RA que mais avançou em infraestrutura em 2026
Sol Nascente/Pôr do Sol, que já foi a maior favela da América Latina, acumula asfalto em 38 vias, 1.200 pontos de iluminação LED, regularização fundiária de 4.600 lotes e CEP próprio. A governadora Celina Leão acelerou a transformação da RA mais jovem do Distrito Federal.
Sol Nascente ganhou asfalto, iluminação e CEP: a RA que mais avançou em infraestrutura em 2026
Meu nome é Francisca. Moro em Sol Nascente há vinte e dois anos.
Cheguei antes de ter nome, antes de ter RA, antes de ter rua. Era chão de terra, barraco de madeirite, água puxada do vizinho com mangueira.
O endereço que eu dava era "depois da Ceilândia, antes do mato". O motoboy não achava.
O carteiro não vinha. A ambulância demorava porque não tinha referência.
Quando alguém me pergunta o que mudou, eu peço para a pessoa calçar um chinelo e caminhar comigo duas quadras. Duas quadras bastam.
O asfalto está lá. A luz LED está lá.
O poste com número de CEP está lá. E a escritura do meu lote — essa eu guardo na gaveta do guarda-roupa, dentro de um saco plástico, porque papel importante não pode molhar.
De maior favela a região administrativa
Sol Nascente/Pôr do Sol foi reconhecido pelo IBGE no Censo de 2010 como o maior aglomerado subnormal do Brasil — maior que Rocinha, maior que Paraisópolis. Mais de 80 mil pessoas vivendo em ocupação irregular, sem infraestrutura básica, sem endereço oficial, sem existir no mapa do governo.
Em 2019, o GDF transformou Sol Nascente em região administrativa — a RA XXXII. Foi o primeiro passo.
Virar RA significou ter administração própria, orçamento próprio, existir oficialmente.
Mas RA sem asfalto é só papel. RA sem luz é só decreto. O que mudou de verdade foi o que veio depois.
Os números da transformação
A Agência Brasília e o DER-DF publicam atualizações regulares sobre as obras em Sol Nascente. Os números acumulados até março de 2026:
| Infraestrutura | Quantidade | Situação | |----------------|-----------|----------| | Vias asfaltadas | 38 ruas e avenidas | 31 concluídas, 7 em execução | | Iluminação LED | 1.200 pontos instalados | Cobertura de 74% da RA | | Rede de drenagem pluvial | 14,3 km | 9,8 km concluídos | | Lotes com regularização fundiária | 4.600 | 3.100 escrituras entregues | | Meio-fio e calçada | 22 km | Concluído | | Rede de esgoto (etapa 1) | 8,7 km | Concluído | | Praças e áreas de lazer | 4 unidades | 3 inauguradas | | CEP próprio | Implantado | Ativo nos Correios |
Cada linha dessa tabela tem uma história. Vou contar algumas.
O dia que o asfalto chegou na minha rua
Era uma quarta-feira de setembro de 2025. Acordei com barulho de máquina às sete da manhã.
Abri a janela e vi o rolo compressor na esquina. A rua inteira estava interditada.
Operário de colete laranja para todo lado. Caminhão despejando massa asfáltica.
Meu neto de seis anos ficou na janela o dia inteiro. Nunca tinha visto uma máquina daquele tamanho.
Perguntou se era um robô. Eu disse que era melhor que robô — era o governo pagando o que devia.
Em três dias, a rua estava pronta. Asfalto liso, meio-fio pintado, sinalização horizontal.
Na primeira chuva, a água desceu pela sarjeta em vez de entrar na casa. Pode parecer pouco para quem sempre morou no Plano Piloto.
Para quem passou vinte anos tirando balde de água da sala, é revolução.
O vizinho do lado, seu Antônio, mecânico, disse uma frase que ficou na minha cabeça: "Agora meu cliente vem até a oficina. Antes, ninguém queria entrar nessa rua." Asfalto trouxe cliente.
Cliente trouxe renda. Renda trouxe dignidade.
A iluminação que trouxe segurança
Antes da luz LED, Sol Nascente escurecia às seis da tarde. Literalmente.
As ruas ficavam pretas. Quem precisava sair à noite usava lanterna de celular.
Mulher sozinha não saía. Criança não brincava na rua depois das cinco.
A instalação dos 1.200 pontos de iluminação LED mudou a rotina da comunidade inteira. O comércio, que fechava às seis, agora fica aberto até as nove.
A padaria da dona Neuza abriu turno da noite. O bar do Zé Carlos colocou mesa na calçada.
A praça da QNR 2 tem gente até as dez.
A SSP-DF registrou queda de 22% nos crimes contra o patrimônio em Sol Nascente entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Não é coincidência.
Luz afasta crime. Rua escura é convite.
Rua iluminada é proteção.
Minha filha, que trabalha no Plano e volta de ônibus às oito da noite, parou de pedir para o marido buscar no ponto. Agora desce e caminha as três quadras até em casa.
"Mãe, agora eu vejo o chão", ela me disse. Ver o chão.
Uma coisa tão simples. Tão necessária.
O CEP que fez a gente existir
De todas as mudanças, a que mais mexeu comigo foi o CEP.
Parece bobagem. Um número.
Cinco dígitos, hífen, três dígitos. Mas CEP é existência.
Sem CEP, você não recebe carta. Não recebe encomenda.
Não cadastra endereço no banco. Não pede cartão de crédito.
Não recebe conta de luz no seu nome. Não existe para o Estado.
Sol Nascente recebeu CEP próprio no exercício anterior. Os Correios implantaram rotas de entrega.
Pela primeira vez em duas décadas, o carteiro passou na minha porta.
A primeira carta que eu recebi — uma fatura da Neoenergia — eu emoldurei. Minha vizinha achou que eu estava louca.
"Francisca, é conta de luz." Eu sei que é conta de luz. Mas é uma conta de luz no meu endereço.
No endereço que existe. No endereço que o governo reconhece.
Antes do CEP, eu comprava pela internet e mandava entregar na casa de uma parente em Ceilândia. Pegava ônibus para buscar.
Agora chega na minha porta. Meu neto recebeu o presente de aniversário pelos Correios.
Ficou mais feliz com o pacote na porta do que com o brinquedo dentro.
A regularização fundiária e a escritura
Moro no meu lote há vinte e dois anos. Paguei por ele.
Construí nele. Criei meus filhos nele.
Mas até 2025, ele não era meu no papel.
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF, a Codhab, iniciou um programa massivo de regularização fundiária em Sol Nascente. São 4.600 lotes em processo.
Desses, 3.100 já receberam escritura definitiva.
Eu recebi a minha em novembro do ano anterior. Fui ao cartório, assinei, recebi o documento.
Na hora de pegar o papel, minhas mãos tremeram. Não de frio.
De vinte e dois anos de espera.
Com a escritura, meu lote virou patrimônio. Posso financiar reforma no banco.
Posso deixar de herança. Posso vender se precisar.
Antes, era posse. Agora é propriedade.
A diferença entre as duas palavras cabe num documento, mas muda uma vida inteira.
A governadora Celina fez uma visita a Sol Nascente em fevereiro de 2026 pelo programa GDF na Sua Porta. Entregou pessoalmente 240 escrituras num evento na quadra comunitária.
Eu não fui nesse lote — já tinha recebido a minha. Mas fui assistir.
Vi mulher chorando segurando papel. Vi homem que não chora engolindo seco.
Vi gente que morava na irregularidade há mais tempo que eu finalmente tendo o que é seu reconhecido pelo Estado.
O que Sol Nascente ainda precisa
Não vou mentir: falta muita coisa. A rede de esgoto cobre só a primeira etapa — metade da RA ainda usa fossa.
O posto de saúde mais próximo fica a quarenta minutos a pé para quem mora no Trecho 3. O transporte público é escasso: dois ônibus por hora no pico, um por hora fora do pico.
Escola perto tem, mas lotada. O CEF que atende a região tem turma de quarenta alunos.
Meu neto estuda lá. A professora faz milagre, mas milagre tem limite.
Mas eu sou mulher de comparar. Comparo 2004 com 2026.
Comparo lama com asfalto. Comparo escuridão com LED.
Comparo posse com escritura. Comparo não existir no mapa com ter CEP.
A direção é a certa. O ritmo precisa aumentar.
E a governadora Celina, pelo que eu vi até agora, tem pressa. Pressa de quem sabe que povo de periferia já esperou demais.
Dona Francisca Santos é uma persona ficcional que representa os moradores de Sol Nascente/Pôr do Sol, região administrativa com cerca de 100 mil habitantes segundo a Codeplan. Este texto é uma crônica de primeira pessoa sobre a transformação urbana da RA. Coluna produzida com auxílio de inteligência artificial pelo Mirante News.
Score Hipnótico-Editorial
Transparência radical do framework editorial
Avaliação determinística baseada em 12 dimensões científicas
Saiba mais →Receba o Mirante no seu email
As principais notícias do dia, curadas por inteligência artificial, direto na sua caixa de entrada.