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O RH do GDF tem 128 mil matrículas ativas — o maior banco de dados de servidor do Centro-Oeste
São 128.412 matrículas ativas, 47 órgãos, uma folha de R$ 1,93 bilhão por mês e uma média etária que avança ano após ano. O banco de dados de servidores do Distrito Federal é o maior do Centro-Oeste e revela um funcionalismo cada vez mais envelhecido, mais escolarizado e mais concentrado em três carreiras.
A Secretaria de Economia do Distrito Federal mantém em seus servidores o maior cadastro de funcionalismo público do Centro-Oeste. Em março de 2026, o sistema SIGRH registrava 128.412 matrículas ativas, número que inclui efetivos, comissionados, requisitados e contratados temporários.
A folha bruta paga no mês fechou em R$ 1,93 bilhão, segundo o Portal da Transparência distrital.
O volume é maior do que a soma das folhas de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul somente no nível estadual. A particularidade do DF, que acumula competências de estado e de município, ajuda a explicar o tamanho da máquina: a mesma estrutura que paga professores da rede básica também paga delegados de polícia, fiscais de tributos e auditores da Saúde.
Quem são os 128 mil
O perfil médio do servidor distrital tem 46 anos, 18 anos de casa e ensino superior completo. A faixa entre 45 e 59 anos concentra 54% do quadro.
Servidores com mais de 60 anos já são 14%, percentual que dobrou em uma década, segundo cruzamento dos relatórios anuais de gestão de pessoas.
A escolaridade subiu de forma consistente. Em 2010, 41% dos efetivos tinham ensino superior.
Em 2026, são 71%. O salto vem das exigências de concurso: praticamente todas as carreiras criadas a partir de 2008 passaram a pedir diploma de nível superior, mesmo em funções administrativas.
| Perfil | 2016 | 2026 | |---|---|---| | Idade média | 42 anos | 46 anos | | Tempo médio de casa | 13 anos | 18 anos | | Servidores com 60+ | 7% | 14% | | Ensino superior completo | 58% | 71% | | Mulheres no quadro | 56% | 61% |
A presença feminina cresceu em todas as faixas, puxada principalmente pela Educação e pela Saúde, que juntas respondem por mais da metade do funcionalismo distrital.
As três carreiras que pesam na folha
Três grupos concentram 68% do gasto mensal com pessoal: Educação, Segurança Pública e Saúde. A Secretaria de Educação sozinha emprega 41 mil pessoas entre professores, orientadores, monitores e pessoal administrativo.
A folha mensal da pasta passou de R$ 720 milhões em janeiro de 2026.
A Segurança Pública soma 22 mil servidores ativos quando se contam Polícia Civil, Polícia Militar, Bombeiros e Departamento de Trânsito. O custo é amplificado pelos adicionais de risco, escala e gratificações específicas, que elevam o salário médio do grupo a R$ 18.400 mensais, segundo a base de dados aberta da Secretaria de Economia.
A Saúde mantém 19 mil servidores entre médicos, enfermeiros, técnicos e administrativo dos hospitais regionais. A média salarial é menor — R$ 11.200 — mas a categoria carrega o maior volume de horas extras pagas no mês.
| Carreira | Servidores ativos | Folha mensal | Salário médio | |---|---|---|---| | Educação | 41.300 | R$ 720 mi | R$ 14.100 | | Segurança | 22.100 | R$ 410 mi | R$ 18.400 | | Saúde | 19.400 | R$ 218 mi | R$ 11.200 | | Carreiras de Estado | 9.800 | R$ 312 mi | R$ 31.800 | | Demais órgãos | 35.812 | R$ 270 mi | R$ 7.500 |
As chamadas Carreiras de Estado — auditores tributários, procuradores, delegados, peritos — somam menos de 8% do efetivo, mas consomem 16% da folha. O salário médio do grupo passa dos R$ 31 mil mensais, puxado por gratificações de produtividade e pelo teto constitucional aplicado na cúpula.
A onda de aposentadorias que chega em 2027
A pirâmide etária do GDF aponta para uma transição demográfica acelerada. Pelos cálculos da Subsecretaria de Gestão de Pessoas, 11.300 servidores reúnem condições de aposentadoria voluntária entre o segundo semestre de 2026 e o fim de 2028.
Outros 6.700 entram na faixa em 2029.
Boa parte desse contingente está concentrada na Educação, que viveu um ciclo intenso de concursos entre 1992 e 1998. Esses servidores, hoje com 28 a 33 anos de carreira, formam o núcleo de professores-regentes mais experientes da rede e devem deixar a sala de aula praticamente ao mesmo tempo.
A reposição depende de novos concursos. O último edital fechado para professor de carreira foi o de 2022, com 2.106 vagas.
Para repor o que vai sair em três anos, seriam necessárias pelo menos cinco vezes mais convocações, segundo simulação interna da Secretaria de Educação.
A folha que cabe no orçamento
O DF gasta hoje cerca de 47% da Receita Corrente Líquida com pessoal, dentro do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de 49%. A margem é estreita.
Qualquer reajuste linear acima de 4% empurra o índice para o terreno vermelho.
Em 2025, a folha cresceu 6,8%, puxada por reposição inflacionária e por dois ciclos de progressão funcional. Para 2026, a Secretaria de Economia projeta crescimento de 5,4%, abaixo da inflação esperada.
O ajuste vem de uma combinação de aposentadorias, demora nas reposições e congelamento parcial de gratificações.
A despesa com inativos e pensionistas é o componente que mais corre. Em janeiro de 2020, o GDF pagava R$ 720 milhões mensais a aposentados e pensionistas.
Em janeiro de 2026, esse valor foi a R$ 1,12 bilhão. A previsão é que ultrapasse R$ 1,4 bilhão em 2030, mesmo com a entrada em vigor da reforma previdenciária distrital.
O que o cadastro revela
O banco de dados da Secretaria de Economia é uma das poucas bases públicas brasileiras que permitem cruzar matrícula, lotação, escolaridade, jornada e remuneração em tempo real. Pesquisadores da Codeplan e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada usam os arquivos abertos para estudar produtividade do setor público e desigualdade salarial entre carreiras.
Um dos achados mais recentes foi a constatação de que carreiras criadas após 2008 — auditores de controle externo, especialistas em políticas públicas, analistas de tecnologia — chegaram à média salarial de carreiras tradicionais em menos de 10 anos, fenômeno explicado pela combinação de plano de cargos enxuto e progressões automáticas.
Para o cidadão, o efeito é menos visível, mas tem peso. Cada matrícula ativa corresponde, em média, a 23 brasilienses atendidos.
É um dos índices mais altos do país. E é também a métrica que define, na prática, o tamanho do Estado que Brasília sustenta.
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