
Plenário do Senado Federal — 54 cadeiras em disputa nas eleições de 2026
Senado 2026: PL pode eleger até 22 senadores e bloco bolsonarista caminha para maioria absoluta
Com duas vagas por unidade federativa, a renovação de dois terços do Senado redesenhará o equilíbrio de forças no Congresso a partir de fevereiro de 2027.
Senado 2026: PL pode eleger até 22 senadores e bloco bolsonarista caminha para maioria absoluta
A eleição de outubro de 2026 vai renovar 54 das 81 cadeiras do Senado Federal — duas por estado. O Partido Liberal já é a maior bancada da Casa com 15 senadores, e o mapa eleitoral indica que a legenda de Jair Bolsonaro pode chegar a 2027 com 24 a 30 senadores, consolidando-se como força hegemônica na Câmara Alta. O bloco ampliado de direita — PL, PP, Republicanos, Novo e aliados — projeta entre 43 e 48 cadeiras, o suficiente para a maioria absoluta de 41.
Este levantamento cruzou pesquisas eleitorais de Real Time Big Data, Paraná Pesquisas, AtlasIntel, Instituto Mapa e Quaest com o mapa de articulações partidárias até março de 2026 para projetar o resultado estado a estado.
A mecânica: 54 cadeiras, 2 por estado
Em 2026, o eleitor escolherá dois senadores por maioria simples — os dois mais votados vencem, sem segundo turno. São 27 unidades da federação, totalizando 54 vagas. Os 27 senadores eleitos em 2022, cujo mandato vai até 2031, permanecem. O PL retém 8 senadores sem disputar — mais do que qualquer outro partido.
Os partidos mais vulneráveis são o PSD, com 11 cadeiras em jogo, e o MDB, com 10. O PT tem 6 em disputa; o PL, 7.
Região Sul: direita consolidada
Rio Grande do Sul
Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP) não se reelegem, abrindo as duas vagas. Manuela d'Ávila (PSOL) lidera com 20,2% no Instituto Methodus, seguida por Marcel van Hattem (Novo, aliado PL) e Germano Rigotto (MDB). Ubiratan Sanderson (PL) aparece com 7,9%. O cenário é fragmentado — 88% dos eleitores estão indecisos na espontânea. Projeção: 1 cadeira PL/aliado + 1 esquerda.
Santa Catarina
Pesquisa AtlasIntel de 1º de abril mostra Carol De Toni (PL) na liderança com 30,7%, seguida por Esperidião Amin (PP) com 20,1% e Carlos Bolsonaro (PL) com 18,3%. O problema de Carlos é a rejeição: 43,6%, a segunda mais alta. Ivete da Silveira (MDB) não concorre. Projeção: De Toni (PL) + Amin (PP). Bloco direita leva as 2.
Paraná
Ratinho Jr. (PSD) lidera com 31% (Real Time Big Data). Para a segunda vaga, Filipe Barros (PL), Cristina Graeml (União) e Deltan Dallagnol (Novo) empatam com 13-14% cada. Flávio Arns e Oriovisto Guimarães (ambos Podemos) não se reelegem. Projeção: Ratinho + 1 candidato de direita. PL: 0-1 cadeira.
Total Sul: PL puro 2-3 cadeiras. Bloco direita: 4-5 de 6.
Região Sudeste: o maior prêmio e a maior incerteza
São Paulo
Eduardo Bolsonaro (PL) lidera com 32,4% nas pesquisas. Fernando Haddad (PT) é competitivo caso deixe o Ministério da Fazenda. Se Haddad não vier, a segunda vaga abre para Geraldo Alckmin (PSB), Capitão Derrite (PL) ou Ricardo Mello Araújo (PL). Projeção: Eduardo (PL) garantido. 2ª vaga: PL possível se Haddad não vier.
Rio de Janeiro
Flávio Bolsonaro lidera com 41,7% (Paraná Pesquisas), mas deve migrar para a disputa presidencial. Cláudio Castro (PL), governador, aparece em segundo com 31,3%, tecnicamente empatado com Benedita da Silva (PT) a 27,1%. Se Flávio sai, o cenário fica Castro (PL) vs. Benedita (PT) vs. Lindbergh (PT). Projeção: Castro (PL) + 1 esquerda. PL: 1 cadeira.
Minas Gerais
O ponto fraco do PL. Domingos Sávio (PL) marca apenas 9,6% na Paraná Pesquisas de março. Carlos Viana (Podemos) lidera com 32,2%, seguido por Aécio Neves (PSDB) a 26,1% e Marília Campos (PT) a 25,7%. Nikolas Ferreira não tem a idade mínima de 35 anos. Paulo Guedes nunca confirmou candidatura. O PL está fragmentado internamente entre Domingos Sávio, Cristiano Caporezzo e Eros Biondini. Projeção: PL 0 cadeiras. Centro-direita (Viana/Aécio): 1-2.
Espírito Santo
Renato Casagrande (PSB) é favorito absoluto para a primeira vaga. A segunda é disputa entre Maguinha Malta (PL, filha de Magno Malta), Gilvan da Federal (PL), Sérgio Meneguelli (Republicanos) e Rose de Freitas (MDB). Projeção: PL 0-1 cadeira.
Total Sudeste: PL puro 2-4 cadeiras. Bloco direita: 4-6 de 8.
Região Centro-Oeste: o território mais favorável
Distrito Federal
Michelle Bolsonaro (PL) lidera com 42,9% — a maior vantagem individual do país. Ibaneis Rocha (MDB) aparece em segundo com 36,9%. Bia Kicis (PL), a segunda indicada de Bolsonaro para a chapa pura do PL, marca 20,7%, insuficiente para superar Ibaneis. Leila do Vôlei (PDT) tem 26,7% e Érika Kokay (PT), 24,2%. Projeção: Michelle (PL) + Ibaneis (MDB). PL: 1 cadeira.
Goiás
Gracinha Caiado (União Brasil), esposa do governador, lidera com 36,1%. Gustavo Gayer (PL) está em segundo com 21,1%, empatado tecnicamente com Vanderlan Cardoso (PSD) a 19,7% e Major Vitor Hugo (PL) a 19%. O PL tem dois nomes fortes que se complementam — Gayer atrai o eleitorado jovem e digital, Vitor Hugo o segmento militar e institucional. Se Vanderlan perder fôlego, o PL pode fazer duas cadeiras. Projeção: Gracinha + Gayer. PL: 1-2 cadeiras.
Mato Grosso do Sul
Empate triplo: Reinaldo Azambuja (PL) com 18-20%, Capitão Contar (PL) com 17-20% e Nelsinho Trad (PSD) com 14-22%, conforme pesquisas de março. Marcos Pollon (PL), preferido de Bolsonaro, marca apenas 6-7%. O partido tem quatro pré-candidatos para duas vagas e decidirá nas convenções de julho. A centro-direita deve levar ambas as cadeiras. Projeção: PL 1-2 cadeiras.
Mato Grosso
Governador Mauro Mendes (União Brasil) lidera com 65-68% — domínio absoluto. Janaína Riva (MDB), vice-governadora, está em segundo com 36-40%. José Medeiros (PL) aparece distante, com 12-14%. Projeção: PL 0 cadeiras. Direita (União/MDB): 2.
Total Centro-Oeste: PL puro 3-5 cadeiras. Bloco direita: 6-8 de 8.
Região Norte: reeleições e caciques
Rondônia
O estado mais favorável ao PL em todo o país. Marcos Rogério (PL) lidera com 32,8% e Silvia Cristina (PL) com 31,6%. Possibilidade real de dobradinha. Projeção: PL 2 cadeiras.
Acre
Márcio Bittar (PL) é favorito com 27,4%. Gladson Cameli (PP, aliado) compete pela segunda vaga contra Jorge Viana (PT). Projeção: PL 1 + aliado PP 1.
Amazonas
Capitão Alberto Neto (PL) lidera com 37%. Wilson Lima (União Brasil, governador) e Eduardo Braga (MDB) disputam a segunda vaga. Projeção: PL 1 cadeira.
Roraima
Mecias de Jesus (Republicanos/PL) busca reeleição como favorito. Teresa Surita (MDB) lidera com 24% e Denarium (PP) com 22%. Projeção: PL/aliado 1 cadeira.
Tocantins
Governador Wanderley Barbosa (Republicanos) lidera com 24%. Eduardo Gomes (PL) busca reeleição com 19%. Projeção: PL 1 + Republicanos 1.
Pará
Domínio da família Barbalho (MDB). Éder Mauro (PL) aparece com apenas 16%. Projeção: PL 0.
Amapá
Sem candidato PL competitivo. Randolfe Rodrigues (PT) é favorito. Projeção: PL 0.
Total Norte: PL puro 6-7. Bloco direita: 9-11 de 14.
Região Nordeste: a muralha
O Nordeste é o território mais adverso ao PL — não por acidente, mas por estrutura. O partido não tem capilaridade municipal: faltam prefeitos e vereadores para mobilizar votos no interior.
Bahia
Rui Costa (PT) com 26% e Angelo Coronel (PSD) com 17% dominam. João Roma (PL) marca 11%. PL: 0.
Pernambuco
Humberto Costa (PT) lidera com 43%. Gilson Machado (PL) e Anderson Ferreira (PL) disputam espaço com Miguel Coelho (União) e Eduardo da Fonte (PP). PL: 0-1.
Ceará
Cid Gomes (PSB) com 21% e Roberto Cláudio (PDT) com 18%. Pastor Alcides (PL) aparece com 14%. Eduardo Girão (Novo, aliado) não se reelege. PL: 0.
Sergipe
Dois candidatos do PT (Rogério Carvalho e Márcio Macêdo) disputam. Rodrigo Valadares (negocia filiação ao PL) é aposta incerta. PL: 0-1.
Alagoas
Renan Calheiros (MDB) + Arthur Lira (PP). PL: 0.
Maranhão
Carlos Brandão (PSB) 28% + Weverton Rocha (PDT) 24%. PL: 0.
Piauí
Marcelo Castro (MDB) 28% + Júlio César (PSD) 21%. Ciro Nogueira (PP, aliado Bolsonaro) tem 18%. PL: 0. Aliado PP: 0-1.
Paraíba
João Azevêdo (PSB) lidera. PL: 0.
Rio Grande do Norte
Styvenson Valentim (PSDB, direita) é favorito. Coronel Hélio (PL) tem 10%. PL: 0. Direita aliada: 1.
Total Nordeste: PL puro 0-2. Bloco direita: 3-6 de 18.
Projeção consolidada
| Região | Vagas | PL (pessimista) | PL (base) | PL (otimista) | |--------|-------|-----------------|-----------|---------------| | Sul | 6 | 2 | 2 | 3 | | Sudeste | 8 | 2 | 3 | 5 | | Centro-Oeste | 8 | 3 | 4 | 5 | | Norte | 14 | 5 | 6 | 7 | | Nordeste | 18 | 0 | 1 | 2 | | Total eleitos | 54 | 12 | 16 | 22 | | + Mandatos até 2031 | — | +8 | +8 | +8 | | Total PL em 2027 | 81 | 20 | 24 | 30 |
Como ficaria o Senado em 2027
No cenário base, a composição projetada é:
| Partido | Atual | Projeção 2027 | Variação | |---------|-------|---------------|----------| | PL | 15 | 24 | +9 | | MDB | 10 | 9 | -1 | | União Brasil | 8 | 9 | +1 | | PT | 9 | 8 | -1 | | PSD | 14 | 7 | -7 | | PP | 6 | 6 | 0 | | Republicanos | 4 | 5 | +1 | | PSB | 4 | 4 | 0 | | PSDB | 3 | 4 | +1 | | Novo | 2 | 2 | +1 | | Outros | 6 | 3 | -3 |
A matemática dos blocos
O Senado se reorganiza em torno de três forças:
Bloco bolsonarista (PL + Novo + parte PSDB): 27 a 32 senadores. Insuficiente sozinho para maioria.
Centro-direita aliado (PP + Republicanos + parte União Brasil): 12 a 16 senadores. É o fiel da balança.
Somados: 39 a 48 senadores. No cenário base, 43 — maioria absoluta com margem de 2.
Esquerda e governo (PT + PSB + PDT + PSOL): 13 a 16 senadores. Insuficiente para bloquear quorum simples.
Centrão flutuante (MDB + PSD + parte União): 12 a 18 senadores. Serão os mais cortejados.
O que isso significa na prática
Presidência do Senado
Com ~43 votos orgânicos no bloco direita, o campo bolsonarista terá peso para indicar ou negociar o presidente do Senado a partir de fevereiro de 2027. O Centrão exigirá cargos na Mesa Diretora e relatorias de comissões como preço.
Pautas econômicas
Reformas tributárias complementares, privatizações e autonomia do Banco Central passam com maioria simples (41 votos). A agenda econômica liberal é o retorno mais concreto do investimento eleitoral da direita no Senado.
Impeachment de ministros do STF
A conta não fecha. Impeachment exige 54 votos — dois terços. Mesmo no cenário otimista de 48 senadores de direita, faltam 6. O PT com 8-9 cadeiras mais aliados bloqueiam com folga. Bolsonaro prometerá o que não pode entregar.
Para o Distrito Federal
Michelle Bolsonaro com 42,9% será a maior puxadora de votos da capital federal. Qualquer candidato a governador precisará se posicionar em relação a ela — não contra. O palanque de Michelle define o campo gravitacional da eleição distrital.
O PSD é o grande derretido
De 14 para 7 senadores. Rodrigo Pacheco sai, Mara Gabrilli sai, Nelsinho Trad pode perder em Mato Grosso do Sul. O partido construiu sua bancada em 2018 com adesões de conveniência que agora migram para PL e União Brasil. Em 2027, será uma legenda de segundo escalão no Senado.
O fator que poucos calculam
O verdadeiro poder em 2027 não estará no PL — estará no voto 41. Com ~35 votos orgânicos (PL + PP + Republicanos), o bloco precisa de 6 senadores do Centrão para cada votação. Esses 6 — provavelmente do MDB e PSD — serão os senadores mais poderosos do Brasil. Quem preenche a margem controla a agenda.
Análise produzida pela Dra. Helena Strategos, Cientista-Chefe da INTEIA, com base em pesquisas eleitorais registradas até março de 2026 e mapeamento de articulações partidárias. Confiança geral: 74%. Todas as projeções estão sujeitas a alterações conforme definição de candidaturas nas convenções de julho.
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