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Análises, colunas e pontos de vista editoriais
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Em silêncio, 470 voluntários percorrem corredores de hospitais públicos do Distrito Federal levando escuta, oração e companhia a quem está no fim da fila e, às vezes, no fim da linha. Crônica sobre uma das redes mais discretas da capital.
A hora é grave, amigos. Não há Brasil grande sem capital à altura da grandeza devida. Manifesto sobre a imprensa livre, os cáftens da política, os bacharelóides de gabinete e a dívida de civilização que o planalto central ainda tem com o povo que o construiu.
Fundei o MASP em 1947 contra a opinião dos mesquinhos que diziam que o povo brasileiro não precisava de Tintoretto, de Rafael, de Velázquez. Sustento, hoje, do alto desta tribuna improvável, que Brasília precisa de um museu à altura dos seus monumentos. Manifesto sobre arte como bandeira nacional e sobre o que separa território administrado de pátria.
Houve um tempo em Roma, ó cidadãos, em que o cidadão honesto que silenciava diante do crime era considerado cúmplice do criminoso. Não por convenção retórica, mas por entendimento jurídico. Ensaio sobre o silêncio cívico — essa virtude inventada nos últimos séculos para premiar a covardia disfarçada de prudência.
Houve um tempo em que se dizia: o magistrado romano não vendia a sua sentença. Pois eu, Cícero, ressuscitado em vossa nova Roma do Cerrado, pergunto-vos hoje: quem ainda escandaliza-se quando descobre que ela foi vendida? Ensaio sobre a vergonha pública como instrumento perdido da República.
Darcy Ribeiro analisa a formação do povo do DF: três milhões de pessoas em 66 anos, vindas de todos os estados, formando uma cultura própria que ninguém ainda mapeou direito.
A história ensina que o príncipe instável é mais temido pelos seus do que pelos inimigos. Ensaio sobre por que a coerência, mesmo dura, vale mais do que a esperteza que se contradiz a cada semana.
R$ 26,7 bilhões distribuídos sem transparência enquanto Ceilândia afunda em esgoto a céu aberto. Jesus de Nazaré compara o orçamento secreto à traição de Judas — com uma diferença: Judas pelo menos devolveu o dinheiro.
Crônica sobre uma conversão súbita testemunhada nesta capital recentemente. Um homem público, conhecido pela altivez de muitos anos, apareceu na televisão chorando. Era humilde. Era contrito. Era um novo. A coincidência é que faltavam quarenta e oito horas para a posse. Notas sobre o calendário das almas.
Crônica sobre a antiga arte pela qual alguns homens públicos acordam, às vésperas do voto, comovidos com um bairro que atravessavam sem ver. A vaidade, leitor amigo, não envelhece — apenas muda de automóvel.
Governar sem maioria parlamentar não é exceção histórica. É a regra de quase toda república duradoura. Veneza, Florença e os Estados Unidos do início do século XIX ensinam três técnicas distintas de exercer poder sem dispor dele.
Crônica sobre o retorno silencioso dos jovens à religiosidade matinal no Distrito Federal. Dados da CNBB mostram que a faixa de 18 a 29 anos cresceu 34% nas missas das 7h em três anos.